Apologética Católica

A Verdade e as “verdades”


Por Carlos Ramalhete



Uma das noções de lógica é o chamado princípio da Não-Contradição. Deus, que é infinitamente perfeito, evidentemente não pode entrar em contradição consigo mesmo. Assim sendo, a verdade só pode ser uma só, e tudo o que a contradiz é errado. Cristo disse que ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,16). Do mesmo modo, a Sagrada Escritura nos adverte que há apenas um só Senhor, uma só fé, um só batismo (Efésios 4,5). Cristo, antes de ser  crucificado, afirma que deu aos discípulos (os Apóstolos, a Igreja) a  glória que seu pai lhe deu para que sejam um, como Cristo e o Pai são um (Jo  17,22). Isto mostra que, evidentemente, o princípio da Não-Contradição é válido ao tratarmos da verdade. O Senhor é Único, a Verdade é Única, o Caminho é Único ( Ele não disse que era “uma verdade”, ou que era “as verdades”, ele não disse que era “um caminho” ou que era “os caminhos” ). Portanto, a fé é única, a verdade é única, o batismo é único.

               Encontramos porém hoje em dia muitas pessoas que negam este princípio básico da Lógica, ao menos no que se aplica ao Cristianismo. Elas afirmam que a Igreja é composta invisivelmente da soma de todos os que crêem em Jesus e o aceitam como Salvador. Há porém um problema seríssimo neste raciocínio. É só observar as várias interpretações diferentes em cada pessoa e em cada denominação Religiosa.

Em que Jesus eles crêem? Cada grupo, cada protestante que se afirma salvo crê em um “Jesus” diferente. O “Jesus” dos Batistas  nega a eficácia do Batismo, que para eles é simbólico. O “Jesus” dos Metodistas afirma que o Batismo é eficaz e faz da pessoa um filho de Deus. O “Jesus ” dos Adventistas preocupa-se quase que exclusivamente com a manutenção do sábado dos Judeus, sendo que guardar o domingo seria para este “Jesus ” a marca da Besta. Ao passo que outros “Jesuses” mandam descansar no domingo, ou até em dia nenhum.

Uma conhecida  figura política  carioca queria viver com uma pessoa que já era  casada. O “Jesus” de sua Igreja, entretanto, não permitia segundas núpcias. Nada mais fácil: bastou passar  a “congregar” em outra Igreja cujo “Jesus” permitia a legitimação do adultério e o “casamento” pôde ser feito.

Para os Protestantes da primeira Igreja, porém, esta pessoa continua sendo uma “Evangélica” em boa situação, pertencente à “Igreja invisível” que reúne todos os que aceitam um “Jesus” fabricado por encomenda em seus corações!  O fato dela ter escolhido reunir-se (congregar-se) com outras pessoas cuja crença está em contradição com a crença da primeira Igreja em que saiu, não é em absoluto motivo suficiente para ela deixar de ser “contada entre os eleitos” por aqueles que ela deixou.  O fato dela ter escolhido uma “verdade” que está em contradição com a “verdade” pregada pela Igreja de que saiu, na opinião deles, não significa que ela não siga a (um) “Jesus” e assim seja parte desta “Igreja invisível” e auto-contraditória.

              Como isso pode ocorrer? Como o princípio da Não-Contradição pode ser tão ignorado? É simples: O orgulho humano prefere criar um “Jesus” a sua imagem e semelhança. Isso é infelizmente, a marca do Protestantismo. Não há para eles, uma só fé, uma só verdade, um só batismo, pois vivem ao livre exame e ao livre arbítrio. É só observar as milhares  de interpretações espalhadas pelo mundo.   

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