Apologética Católica

 

                                   A luta contra o mal

 

Para muitos Cristãos (entre os quais se incluem teólogos e eclesiásticos), o demônio já não existe. Seria apenas a personificação simbólica do mal e de fenômenos obscuros, psiquiátricos ou parapsicológicos, em vias de explicação científica. Para outros, tem poderes excessivos, quase que se fosse um deus com sinal negativo, o qual tem lugar na publicidade, nas missas negras nas seitas satânicas onde milhares de pessoas fazem pactos com este ser. Ora, o demônio não é um uma personificação do mal e nem uma espécie de divindade maligna, ele é simplesmente um anjo decaído, que conserva os poderes (e as limitações) da natureza angélica, porém só pode fazer uso deles, na medida, que Deus o permita. E Deus só permite sua atuação quando ela redunde na glória, contribua para a salvação dos homens ou, ainda, sirva para o castigo destes, quando merecedores.

“O século do homem sem Deus”, anunciado por Nietzsche, transforma-se no século de satanás, que prepara o seu reino com a primeira guerra mundial, implanta o comunismo ateu e tirânico, e depois a segunda grande guerra mundial. Invade toda a terra de ódio, terror, impiedade, heresia, blasfêmia e corrupções.

Ao aproximar-se o fim do século XX, contesta-se a existência dos Anjos, desaparece a oração de São Miguel, mergulha no silêncio o ministério e a função do exorcista. Os poderes do inferno não prevalecerão contra a Igreja, é certo, mas o próprio Cristo prediz o obscurecimento da fé, o esfriamento da caridade. Quando os Cristãos de todos os níveis, principiarem a duvidar da ação e, depois, da existência do espírito rebelde, acontece o que Jesus havia anunciado (Mateus 12, 44-45).

Hoje, não é só a fumaça de satanás, penetrando por uma fenda oculta, mas o diabo, de corpo inteiro, que irrompe triunfalmente pelas portas centrais. Não é difícil notar que ele já está nas universidades, nos Senados e Câmeras Legislativas, nos Palácios do Governo e da Justiça, nos meios de comunicação, nas escolas e nos hospitais.

O que é que nos levaria a pensar que as camadas da Igreja estão isentas dos ataques do demônio? No Gênesis lemos que o demônio seduziu enganosamente os nossos primeiros pais, o próprio Jesus foi tentado, assim como a maioria dos Santos. Nunca será demais repetir que o racionalismo e o materialismo tiveram uma influência negativa, numa certa categoria de teólogos. Tiveram também uma influência profunda sobre Bispos e Padres.

No mundo atual, basta olharmos atentamente à nossa volta para verificarmos como o inimigo atua de duas maneiras: De forma Discreta e de forma Direta.

De forma Discreta: Por exemplo, a mentalização gradativa para que se aceite a eutanásia; as leis do divórcio e do aborto defendidas na própria ONU e divulgadas nos filmes e telenovelas. Apesar dos demônios não poderem mover diretamente a vontade humana, ou fazer o homem pecar, eles precisam de algum modo convencê-los, persuadi-los a praticar uma ação má, ainda que sob a aparência de um bem. O demônio não força; ele propõe, sugere, persuade, alicia. O demônio não tem o poder de obrigar os homens a fazer ou deixarem de fazer algo; por isso procura persuadi-los para que se deixem conduzir pelo seu mal.

De forma Direta: Por exemplo, o satanismo que progride na sociedade mundial, a passos largos, com todas as suas formas de expressão e simbolismo. Numerosos cristãos jovens e velhos fazem experiências da feitiçaria, da bruxaria, do ocultismo, do espiritismo, das religiões orientais e das suas derivações, ignorando completamente os perigos que correm arrastando outros. Alguns tornam-se prisioneiros do demônio, ou mesmo possessos, se sem darem conta do que lhes acontece, e desconhecendo que o exorcismo os poderia libertar.

O demônio espreita-nos; conhece os pontos fracos. Organiza o mundo para explorar. O aumento extraordinário do erotismo, a apologia vitoriosa da homossexualidade, o mercado insinuante das drogas são os exemplos mais visíveis. A expansão do ateísmo, do materialismo e de tantas ilusões enganosas na nossa cultura e na nossa publicidade, levar-nos-ia, em meados do século XX, a dizer: o demônio modernizou-se e a sua maior habilidade é fazer-nos crer que não existe.

É claro que Deus é o Criador, é vencedor. O demônio é marginal, mas é um marginal perigoso, porque a própria lei da criação é uma lei de amor, portanto, de liberdade. Deus não extermina demônios e pecadores por um exercício mágico do seu poder, Não destrói o adversário exteriormente, pelo sopro da sua boca; é a justiça imanente que opera. Deus deixou aos anjos caídos, muito superiores ao homem, a sua liberdade, a sua inteligência e o seu poder. A explicação profunda deste combate é que Deus salva o mundo somente por amor, na liberdade. Foi Cristo que deu a maior prova de amor, donde surgiu a sua vitória e a sua Ressurreição. Ele ultrapassou a barreira do pecado, como os jatos atravessam a barreira de som, mas sem violência nem alarido.

Não está indicado em nenhum lugar da Bíblia que é preciso ter medo de um demônio. Diz-se, sim que devemos resistir-lhe, ficando com a certeza de que fugirá de nós (Tiago 4,7); diz-se que devemos estar vigilantes contra os seus ataques e sólidos na fé (1 Pedro 5, 9). Beneficiamos da graça de Cristo, que esmagou satanás com sua cruz; temos a intercessão de Maria Santíssima, inimiga de satanás, desde o inicio da humanidade; temos o apoio dos Anjos e dos Santos. Sobretudo temos o sinal da Trindade que nos foi impresso no Batismo. Se vivermos em comunhão com Deus, o demônio e o inferno inteiro é que tremem diante de nós. A não ser que lhe abramos a porta...

Conclusão:

O combate contra o mal continua. Deve ser ganho em cada época, em cada lugar, em cada vida. Mas em cada etapa será a vitória do amor. Satanás é o nosso pior inimigo e sê-lo-á até o fim dos tempos. É por isso que ele usa a sua inteligência e os seus poderes para entravar os planos de Deus que, ao contrário, deseja a salvação de todos nós. A nossa força é a Cruz de Cristo, o seu sangue, as suas chagas, a obediência ás suas palavras e à sua Instituição que é a Igreja.

 

 

Artigo escrito por Jaime Francisco de Moura

Fonte: “Um exorcista conta-nos” Gabrielle Amorth


Jaime Francisco é criador deste site. É Apologista Católico, Historiador, Estudioso da Igreja Primitiva e das doutrinas protestantes no Brasil e na América Latina. Publicou 04 obras em defesa da Fé Católica: "As diferenças entre Igreja Católica e Igrejas Protestantes" " Porque estes Protestantes tornaram - se Católicos"  " Lavagem Cerebral e Hipnose no meio Protestante"  e 150 Respostas Católicas aos 150 Ataques Protestantes. Maiores informações sobre os livros: www.respostascatolicas.webnode.com.br   Nestes últimos anos tem estudado profundamente sobre Psicologia e fenômenos  relacionados à demônologia
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