Apologética Católica


Constantino e a Paz de Milão

Por Jaime Francisco de Moura   

            

                Constantino era filho de Constâncio Cloro, Imperador Romano responsável pelo Ocidente da Europa. Subiu ao trono na Gália em 306, ao passo que seu cunhado Licínio ficou com a parte Oriental do Império. Sua religiosidade não era a da Mitologia fantasiosa dos antigos Romanos, mas cultuava Apolo-Sol numa espécie de monoteísmo ainda vago. Antes da batalha contra Maxêncio, Constantino aproximou-se mais do Cristianismo.


                Embora ainda não fosse Cristão Constantino reconhecia cada vez o valor do Cristianismo; por isto em fevereiro de 313 promulgou o Edito de Milão, que reconhecia a religião Cristã como lícita e dotada de plena liberdade (não porém, religião do Estado – o que só aconteceria em 380); em conseqüência, os templos e outros bens imóveis confiscados deveriam ser restituídos aos Cristãos. Este gesto teve enorme importância, pois desfazia o vínculo até então existente entre o Estado Romano e a Religião pagã.


         Embora suas concepções Religiosas ainda fossem confusas, estava convencido da superioridade da Religião Cristã. Em 324, o Imperador enviou um manifesto aos súditos do Oriente, desejando que cada um abandonasse “os templos do engano” e entrasse “na casa radiante da vida”; proibia, porém, que se molestasse quem quer que fosse por causa das suas crenças religiosas.


            Há porém, quem julgue que a proteção concedida por Constantino ao Cristianismo desvirtuou a Igreja, contaminando-a com crenças e práticas do paganismo. É o que passamos a considerar atentamente.

              1) Quanto à pessoa de Constantino, pode-se dizer que passou por uma evolução religiosa notável. Vagamente monoteísta, quando começou a governar, reconheceu no Cristianismo um fator que lhe asseguraria êxito político; daí o apoio que em seus primeiros tempos de governo outorgou à Igreja. Aos poucos, porém, Constantino foi assimilando a própria mensagem do Evangelho, de modo que não pode ser tido como “hipócrita beato”. Em 315, por exemplo, declarava: “Dedico pleno respeito à regular e legítima Igreja Católica”, e vinte anos mais tarde: “Professo a mais santa das Religiões...Ninguém pode negar que sou um fiel servidor de Deus”.


               Constantino acreditava ter recebido uma missão especial de Deus para harmonizar o Estado e a Igreja. Dizia ser o epískopos (vigilante) de fora; assim, por exemplo, falou a Bispos reunidos num Concílio Regional: “Vós sois epískopoi = (bispos) daqueles que estão dentro da Igreja; eu, porém, fui constituído por Deus epískopos = (Vigilante) daqueles que estão fora da Igreja”. Com tais palavras Constantino queria afirmar que se considerava encarregado das populações ainda não Cristãs, às quais deveria levar o Evangelho.


                Não há dúvida de que Constantino, simultaneamente, trazia o título de “Grande Pontífice” da religião pagã, título que seus antecessores já tinham usado. Pode-se crer que ele assim procedia por motivos políticos e diplomáticos, mais do que por convicção íntima; como dito, tinha uma formação doutrinária eclética ou incompletamente Cristã e sujeita a temores supersticiosos.


               Deve-se ainda observar que o envolvimento dos Imperadores na ordem interna da Igreja não deturpou a estrutura e a doutrina do Cristianismo. A mensagem do Evangelho foi, através de tais vicissitudes, vividas pelo povo de Deus de modo a poder transmitir-se íntegra às gerações subseqüentes. O fato de terem cooperado entre si a Igreja e o Império não é um mal em si; não há por que rejeitar de antemão o bom entendimento entre aquela e este, a menos que se professe um maniqueísmo (dualismo) sócio-político.


                Se um Imperador se diz Católico e nada prova que não é sincero, a Igreja tem o direito e o dever de contar com ele como um filho seu, a quem compete proclamar o Evangelho.


Jaime Francisco é criador deste site. É Apologista Católico, Historiador, Estudioso da Igreja Primitiva e das doutrinas protestantes no Brasil e na América Latina. Publicou 03 obras em defesa da Fé Católica: "As diferenças entre Igreja Católica e Igrejas Protestantes" " Porque estes Protestantes tornaram - se Católicos" e " Lavagem Cerebral e Hipnose no meio Protestante" Maiores informações sobre os livros: www.respostascatolicas.webnode.com.br   Nestes últimos anos tem estudado profundamente sobre Psicologia e fenômenos  relacionados à demônologia.

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