Apologética Católica

 O Ministro e as condições para realizar o exorcismo maior


             O ministério de exorcizar os possessos é atribuído por licença peculiar e expressa do Ordinário do lugar, que normalmente é o Bispo diocesano. *(30) Esta licença deve ser concedida somente a um sacerdote dotado de piedade, ciência, prudência e integridade de vida *(31) e especificamente preparado para esta função. O sacerdote a quem tal função é atribuída de modo estável ou ocasionalmente exerça esta obra de caridade com toda a confiança e humildade sob a orientação do Bispo diocesano. Neste livro, quando se diz «exorcista» deve entender-se sempre o «sacerdote exorcista».

              O exorcista, no caso de se falar de alguma intervenção diabólica, antes de mais proceda necessariamente com a maior circunspecção e prudência. Em primeiro lugar, não creia facilmente que seja possesso do demónio alguém que sofra de alguma doença, especialmente psíquica. *(32) Também não aceite imediatamente que haja possessão quando alguém afirma ser de modo peculiar tentado, estar desolado e finalmente ser atormentado; porque qualquer pessoa pode ser iludida pela própria imaginação. Esteja ainda atento, para se não deixar iludir pelas artes e fraudes que o diabo utiliza para enganar o homem, de modo a persuadir o possesso a não se submeter ao exorcismo, sugerindo-lhe que a sua enfermidade é apenas natural ou do foro médico. Examine exatamente, com todos os meios ao seu alcance, se é realmente atormentado pelo demônio quem tal afirma.

             Distinga retamente entre os casos de ataque do diabo e aquela credulidade com que algumas pessoas, mesmo fiéis, pensam ser objeto de malefício, má sorte ou maldição, que terão sido lançados sobre elas ou seus parentes ou seus bens. Não lhes recuse o auxílio espiritual, mas de modo algum recorra ao exorcismo; pode, contudo, proferir algumas orações apropriadas, com elas e por elas, para que encontrem a paz de Deus. Também não deve ser recusado o auxílio espiritual aos crentes que o Maligno não atinge (cf. 1 Jo 5, 18), mas são por ele fortemente tentados, quando querem guardar a sua fidelidade ao Senhor Jesus e ao Evangelho. Isto pode ser feito por um presbítero que não seja exorcista, e mesmo por um diácono, utilizando preces e súplicas apropriadas.

              O exorcista não proceda à celebração do exorcismo antes de confirmar, com certeza moral, que o exorcizando está realmente possesso do demônio e, quanto possível, com o seu assentimento. Segundo a prática comprovada, consideram-se como sinais de possessão do demônio: dizer muitas palavras de língua desconhecida ou entender quem assim fala; revelar coisas distantes e ocultas; manifestar forças acima da sua idade ou condição natural. Estes sinais podem fornecer algum indício. Como, porém, os sinais deste gênero não são necessariamente atribuíveis à intervenção do diabo, convém atender também a outros, sobretudo de ordem moral e espiritual, que manifestam de outro modo a intervenção diabólica, como p. ex. a aversão veemente a Deus, ao Santíssimo Nome de Jesus, à Bem-aventurada Virgem Maria e aos Santos, à Igreja, à palavra de Deus, a objetos e ritos, especialmente sacramentais, e às imagens sagradas. Finalmente, por vezes é preciso ponderar bem a relação de todos os sinais com a fé e o combate espiritual na vida cristã, porque o Maligno é principalmente inimigo de Deus e de tudo o que relaciona os fiéis com a ação salvífica.

          Sobre a necessidade de utilizar o rito do exorcismo, o exorcista julgará com prudência depois de diligente investigação, guardando sempre o segredo de confissão, e consulte, na medida do possível, peritos em ciência médica e psiquiátrica, que tenham a sensibilidade das realidades espirituais.

              Nos casos que afetam um não católico e outros mais difíceis, entregue-se a solução ao Bispo diocesano, que, como medida de prudência, pode pedir a opinião a alguns peritos antes de tomar a decisão a cerca do exorcismo.

             O exorcismo deve realizar-se de modo que se manifeste a fé da Igreja e não possa ser considerado por ninguém como ação mágica ou supersticiosa. Tenha-se o cuidado de não fazer dele um espetáculo para os presentes. Todos os meios de comunicação social estão excluídos, durante a celebração do exorcismo, e também antes dessa celebração; e concluído o exorcismo, nem o exorcista nem os presentes divulguem qualquer notícia a seu respeito, mas observem a devida discrição.

             No rito do exorcismo, além das fórmulas do próprio exorcismo, dê-se especial atenção aos gestos e ritos que têm a maior importância pelo facto de serem utilizados no tempo de purificação do itinerário catecumenal. Tais são o sinal da cruz, a imposição das mãos, o soprar e a aspersão de água benta.

              O rito começa com a aspersão de água benta, pela qual, como memória da purificação recebida no Baptismo, se protege o atormentado contra as ciladas do inimigo. A água pode benzer-se antes do rito ou no próprio rito antes da aspersão e, se parecer oportuno, com a mistura de sal.
Segue-se a prece litânica, na qual se invoca para o atormentado a misericórdia de Deus pela intercessão de todos os Santos.

             Depois da ladainha, o exorcista pode recitar um ou vários salmos, que imploram a proteção do Altíssimo e exaltam a vitória de Cristo sobre o Maligno. Os salmos dizem-se de modo direto ou responsorial. Terminado o salmo, o próprio exorcista pode acrescentar a oração sálmica.

              Em seguida proclama-se o Evangelho, como sinal da presença de Cristo, que cura as enfermidades do homem pela proclamação da sua própria palavra na Igreja.

              Depois o exorcista impõe as mãos sobre o atormentado, a invocar o poder do Espírito Santo para que o diabo saia daquele que pelo Batismo se tornou templo de Deus. Ao mesmo tempo pode soprar para a face do atormentado.
Recita-se, então, o Símbolo ou renovam-se as promessas do Batismo com a renúncia a Satanás. Segue-se a oração dominical, na qual se implora a Deus, nosso Pai, que nos livre do Mal.

               Depois disso, o exorcista mostra ao atormentado a cruz do Senhor, que é a fonte de toda a bênção e graça, e faz o sinal da cruz sobre ele, a manifestar o poder de Cristo sobre o diabo.

             Finalmente diz a fórmula deprecativa, na qual se roga a Deus, bem como a fórmula imperativa, na qual se ordena diretamente ao diabo, em nome de Cristo, para que se afaste do atormentado. Não se utilize a fórmula imperativa senão depois de se dizer a fórmula deprecativa. Por seu lado, a fórmula deprecativa pode ser utilizada sem fazer a imperativa.

               Tudo o que foi descrito pode repetir-se, quantas vezes for necessário, quer na mesma celebração, atendendo ao que adiante se diz no n. 34, quer noutro tempo, até que o atormentado seja totalmente liberto.

                O rito conclui-se com um cântico de ação de graças, a oração e a bênção.

             O exorcista, lembrando-se de que certo género de demónios só podem ser expulsos pela oração e o jejum, procure recorrer principalmente a estes dois remédios para implorar o auxílio divino, a exemplo dos Santos Padres, quer por si quer por outros, na medida do possível.

           O cristão atormentado, de modo especial antes do exorcismo, se é possível, deve orar a Deus, praticar a mortificação, renovar frequentemente a fé do Baptismo recebido e acorrer muitas vezes ao sacramento da reconciliação, bem como fortalecer-se com a sagrada Eucaristia. Podem também ajudá-lo na oração os parentes, os amigos, o confessor ou diretor espiritual, para que lhe seja mais fácil a oração pela presença e caridade de outros fiéis.

               O exorcismo se for possível, celebre-se num oratório ou noutro lugar apropriado, separado da multidão, onde esteja patente a imagem de Jesus crucificado. Também deve haver nesse lugar uma imagem da Bem-aventurada Virgem Maria.

             Tendo em conta a condição e as circunstâncias do fiel atormentado, o exorcista use livremente as faculdades propostas no rito. Mas observe a estrutura da celebração, organize-a e escolha as fórmulas e orações que forem necessárias, adaptando tudo às circunstâncias de cada pessoa.

a) Atenda em primeiro lugar ao estado físico e também psicológico do atormentado e às variações possíveis no seu estado durante o dia ou a hora.

b) Quando não há nenhum grupo de fiéis presente, nem sequer um grupo pequeno, – que é uma situação também recomendada pela prudência e a sabedoria fundada na fé – recorde o exorcista que em si mesmo e no fiel atormentado já está a Igreja, e lembre isso ao próprio fiel atormentado.

c) Procure sempre que o fiel atormentado, durante o exorcismo, se é possível, se mantenha em total recolhimento, se volte para Deus e lhe peça a sua libertação com firmeza de fé e grande humildade. E, se for atormentado com mais veemência, suporte-o pacientemente, sem perder de modo algum a confiança no auxílio de Deus, pelo ministério da Igreja.

          Se algumas pessoas escolhidas forem admitidas à celebração do exorcismo, sejam exortadas a orar instantemente pelo irmão atormentado, quer privadamente quer do modo indicado no rito, abstendo-se, porém, de utilizar qualquer forma de exorcismo, quer deprecativa quer imprecativa, que só o exorcista pode proferir.

                Convém que o fiel liberto da opressão diabólica dê graças a Deus pela paz recuperada, quer individualmente quer juntamente com os seus familiares. Além disso, seja aconselhado a perseverar na oração, sobretudo inspirada na Sagrada Escritura, a frequentar os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, e a fortalecer a sua vida cristã com obras de caridade e amor fraterno para com todos.

*(30) Cf. C. I. C. can. 1172, § 1.

*(31) Cf. ibidem, § 2.

*(32) Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1673.

   Fonte: Celebração dos exorcismos -  Conferência Episcopal -  Ritual Romano - Reformado por Decreto do Concílio  Ecumênico                                          Vaticano II e promulgado por autoridade de sua Santidade o Papa João Paulo II 

Jaime Francisco é criador deste site. É Apologista Católico, Historiador, Estudioso da Igreja Primitiva e das doutrinas protestantes no Brasil e na América Latina. Publicou 03 obras em defesa da Fé Católica: "As diferenças entre Igreja Católica e Igrejas Protestantes" " Porque estes Protestantes tornaram - se Católicos" e " Lavagem Cerebral e Hipnose no meio Protestante" Maiores informações sobre os livros: www.respostascatolicas.webnode.com.br   Nestes últimos anos tem estudado profundamente sobre Psicologia e fenômenos  relacionados à demônologia.

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