Apologética Católica

 

                         Síndrome do Trauma Religioso ( STR )                                                                     

                        

Consequências traumáticas oriundas do fundamentalismo religioso e que a americana Marlene Winell denominou de Síndromes do Trauma Religioso (STR), vêm sendo tratadas por ela há mais de 20 anos. A educadora dedica a sua vida ajudando pessoas a se recuperarem dos traumas psicológicos causados por crenças religiosas e fundamentalismo religioso.

Winell é filha de missionários da denominação pentecostal Assembléia de Deus e acreditava em tudo que lhe fora ensinado a respeito das Escrituras Sagradas. Entretanto, traumatizada pelos condicionamentos fundamentalistas, passou a viver uma vida dramática pensando que seria punida no grande Armagedon, porque temia não ter a aprovação de Deus. Depois de anos de sofrimento, atormentada pelos seus próprios pensamentos, especializou-se em desenvolvimento humano e estudo da família, lançando seu livro intitulado Leaving the Fold A Guide for Former Fundamentalists and Others Leaving their Religion (ainda inédito no Brasil), sobre como se livrar das consequências de religiões fundamentalistas.

Segundo Winell, os sintomas da STR vão desde a ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas até a degradação do relacionamento social, decorrentes de ensinamentos e práticas religiosas. Tal como Winell, há muitas vítimas da lavagem cerebral de religiões fundamentalistas, concomitantes com os variados tipos de superstições aprendidos desde a mais tenra idade.

Síndrome do Trauma Religioso

Termo cunhado por Marlene Winell para classificar os sintomas de pacientes que sofrem de transtornos mentais em decorrência da lavagem cerebral de religiões fundamentalistas. Síndrome do Trauma Religioso se manifesta em pessoas de todas as idades, mas principalmente naquelas cuja personalidade esteja em formação, às crianças. Segundo ela, a recuperação de quem nasceu em uma família de fanáticos religiosos é mais difícil em relação à do sujeito que adotou uma crença fundamentalista na vida adulta, porque não dispõe de parâmetro de comparação.

A técnica denominada Linguagem Hipnótica Ericksoniana utilizada em tratamentos terapêuticos. Observar o tom da voz é fator de descoberta importante para os especialistas. A fala é a mesma em todas as pregações: mansa, chorona. Os jargões também não mudam, há sempre uma senhora que está atormentada porque não agüenta mais o filho nas drogas, o marido que se entregou à bebida, a filha que deixou o lar e foi embora, a falta de dinheiro, a tristeza no coração etc. Essas pessoas, em geral, vivem angustiadas e temerosas pelo iminente fim do mundo e esperam, desde crianças, habituadas a esperar por esta catástrofe. Mas não é só isso. Além da permanente na angústia, são impedidos de ofender a Jeová, seu Deus, ou seus deuses, com celebrações de todo tipo, como aniversários, o carnaval, páscoa, natal, ano novo e quaisquer outras datas de origem pagã, só porque não estão mencionadas nas Escrituras Sagradas. Também são impedidas de doar sangue, servir ao exercito, em alguns casos, de cortar o cabelo, ver televisão, usar determinadas roupas, entre outras coisas que não fazem o menor sentido no contexto teológico e cultural para a nossa época.

Em um país laico como o Brasil, era de se esperar que a pluralidade de religiões trouxesse mais liberdade de expressão quanto a religar o indivíduo com a sua divindade e, assim, cada um respeitasse o espaço do outro e encontrasse a religião que melhor lhe conviesse para crescer e evoluir espiritualmente. Mas não é o que acontece. Com tanto progresso da ciência e o avanço da tecnologia o fundamentalismo religioso atrasa e adoece os sectários.

No cristianismo fundamentalista, por exemplo, o indivíduo já nasce pecador perdido e, portanto, é considerado um depravado e deve lutar pela sua salvação para não perecer eternamente no inferno. Na doutrina da predestinação é ainda mais cruel. A cena de uma criança que desde cedo aprende a ver figuras dantescas do suposto inferno bíblico e precisa reverenciar uma imagem triste e de um ser sofredor e por vezes sangrado terrivelmente pagando pelo pecado dela é no mínimo perturbadora. As conseqüências futuras são incalculáveis e podem se manifestar na sua vida adulta, por serem doutrinadas e aterrorizadas por memórias de imagens do inferno e do apocalipse, na forma de ataques de pânico, TOC, fobia social e outros transtornos psicológicos. Casos e casos podem ser enumerados para exemplificar fracassos e frustrações, em nome de uma religião.

Tomando uma direção mais especulativa, é provável que determinadas autoridades religiosas fundamentalistas ainda promovam ações violentas para a nossa época, vinculadas às manifestações de um radicalismo religioso que, além de gerar traumas individuais, podem resultar em reações a traumas coletivos decorrentes das transformações culturais da Era Moderna, escreve o psicanalista, escritor e autor do livro Sai desse corpo que não te pertence Uma maneira divertida de exorcizar a autos sabotagem”.


Pe. Inácio José do Vale

Pesquisador de Seitas

Professor de História da Igreja

Instituto de Teologia Bento XVI

Sociólogo em Ciência da Religião

 

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