Apologética Católica

Respostas aos Protestantes Sobre Maria

Por Jaime Francisco de Moura


Para se conhecer bem quem é Maria, precisamos ver quem foi Eva, a primeira mulher.

Que a Virgem Maria é a segunda Eva, nos é revelado pelos apóstolos João e Paulo. Basta comprovarmos as seguintes passagens: (Gênesis 3,15) (João 2,4) (Gálatas 4,4) e (Apocalipse 12,1). Vamos agora mostrar que a Virgem Maria, é a segunda Eva. A primeira mulher ouvindo ao demônio (anjo caído), disse não a Deus, trazendo o pecado e a morte a humanidade. A Virgem Maria ouvindo ao anjo de Deus, disse sim a Deus, concebeu e deu a luz a Cristo, vencendo o demônio, trazendo para nós a graça e a vida.

Eva foi desobediente, não teve fé em Deus. A Virgem Maria foi obediente, cheia de fé. Eva é a mãe da nossa natureza pecaminosa, e a Virgem Santíssima, é a mãe da vida na graça. Nossa Senhora restituiu-nos o que Eva perdeu. Portanto Eva á a mulher vencida e a Virgem Maria, é a mulher vencedora (Gênesis 3,15) comparado com Apocalipse 12). Como Eva estava sujeita a Adão, a Virgem Maria está sujeita a Cristo.

E assim como por uma virgem caiu o gênero humano no cativeiro da morte, assim também foi salvo por uma virgem; porque a desobediência virginal, foi compensada em contrapartida por uma obediência virginal.

Reparemos bem que a palavra “mulher” em (João 2,4; 19,26) (Gálatas 4,4) e (Apocalipse 12,1), simboliza a mulher de (Gênesis 3,15). A palavra mulher refere-se à Virgem Maria, a mãe do Messias. A palavra mulher é um título bíblico da Virgem Maria, assim como Jesus foi chamado o Filho do Homem pelo profeta Daniel.

Lembrem-se de (Gênesis 3,15) e (Apocalipse 12), da grande batalha. A geração da serpente, o demônio infernal não chama a mãe de Deus de bem-aventurada, mas procura ferir o seu calcanhar, isto é, diminuir sua grandeza. Há pessoas que dizem que ela é uma mulher como outra . O diabo não combate a Cristo, pois sabe que ele é deus. Combate sua mãe, que foi o meio que o trouxe a Terra.

A única mulher que pode olhar para seu filho, nosso Senhor Jesus Cristo e dizer: “carne da minha carne, sangue do meu sangue, ossos dos meus ossos".

Ela que é a filha de Deus Pai, mãe de Deus Filho e esposa de Deus

Espírito Santo.

Quando Deus Pai decretou a encarnação de Deus Filho, decretou também a maternidade divina de Maria. Ela é a única que pode ser chamada mãe e esposa de Deus. Maria Santíssima é o templo do Senhor, o sacrário do Espírito Santo. O tabernáculo e a arca da aliança, são figuras da Virgem Maria. Nossa Senhora é o sacrário vivo do Espírito Santo, porque pelo seu poder se tornou a mãe do verbo encarnado. Basta percorrer as páginas do antigo testamento para ver que Deus não habita no meio do pecado.

Quando o pecado entrou no mundo, a Virgem Maria foi pensada, amada e portanto predestinada para ser esposa e templo do Espírito Santo, e mãe do Deus encarnado.

Interessante ainda notar que, Jesus na resposta dada a sua mãe, lhe diz: “que temos nós com isso?”, não disse o que a Senhora tem com isso, ou o que eu tenho com isso, mas sim, o que nós temos com isso (João 2,2-12).

Maria conhecia tão bem seu filho que, sem esperar nenhuma resposta de Jesus, diz aos garçons: “Fazei tudo aquilo que ele vos mandar”

As Grandezas de Nossa Senhora na Bíblia:

Que a Santa Mãe do Divino Salvador tenha recebido de Deus prerrogativas que Lhe são exclusivas, é verdade que se deduz de várias passagens da Bíblia, “A cheia de graça” e “A mais bendita que todas as mulheres” (Lucas 1,28;1,42).

Para provar, vamos percorrer os vários textos sagrados da Bíblia, que a Ela se referem.

Já de início note-se o fato de a Bíblia abrir-se (Gênesis 3,15) e fechar-se (Apocalipse 12,1) sob o signo da mulher vitoriosa e bendita.

Eis os textos áureos do Livro Sagrado:

a) Porei inimizade entre ti e a Mulher, e entre a tua descendência e a d’Ela. Ela te esmagará a cabeça, e tu tentarás ferir o seu calcanhar” (Gênesis 3,15)

Comentário: o texto acima é a profecia da vinda do Salvador feita por Deus logo após a queda de nossos primeiros pais. Nele, ao grupo dos vencidos (Adão e Eva) Deus contrapõe o grupo dos vencedores (Jesus e sua Mãe).  A  “descendência  da  mulher” (no original: sêmen, prole), é, num primeiro plano, Jesus Cristo, seu Filho; e, num segundo plano, são todos os eleitos. - O termo “Ela” se refere diretamente à “prole”, porque será através de Jesus enquanto Homem nascido da Virgem Maria, que o poder tirânico de Satã sobre a humanidade será quebrado. Indiretamente, pois, também, “Ela”, a “Mulher” quebrará a cabeça de Satã. - “Inimizade” indica a incompatibilidade absoluta entre Cristo e sua Mãe de um lado, e Satã e os seus do outro; indica ainda a vitória completa de ambos sobre o Maligno.

b) Dois textos de Isaías: “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho, o Emanuel (Deus conosco)” (Isaías 7,14)."Nasceu-nos um menino. . . Ele será Deus forte. . .” (Isaías 9,5).

c) Outros se S. Lucas: "Ave, ó cheia de graça. . . .” (Lucas 1,28) ;  .  . .  darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de Jesus; (...) será Filho do altíssimo” (Lucas 1,32); e Filho de Deus” (Lucas 1,36); “Bendita és tu entre as mulheres; (...) donde me vem a dita de vir a mim  a Mãe de meu senhor?” (Lucas 1,43).

Esses textos sagrados destacam as várias grandezas ou prerrogativas de Nossa Senhora:

 I – A maternidade Divina: É evidente:

1º) no texto da letra “a”, a descendência da mulher (sêmen, prole) é no primeiro plano, Jesus Cristo. E então a “mulher singular” da profecia é a sua verdadeira Mãe. E como Cristo é de Deus, Ela pode e deve ser chamada Mãe de Deus.

2) - Confirma-se isso com os textos da letra “b” (Isaías 7,14), pois “a Virgem” é predita aí como a verdadeira Mãe do Emanuel (Deus conosco). Portanto, Mãe de Deus.

3) - O mesmo diz os textos da letra “c” (Lucas 1,31-32; 1,42-43), pois aí se declara que Maria Santíssima é a verdadeira Mãe “do Filho do Altíssimo”, “do Filho de Deus” e a “Mãe de meu Senhor”.

- Maternidade Espiritual também: de fato, como no 2º plano, aquela “Mulher” é Mãe da “prole” também no sentido de “descendência”, Maria Santíssima é Mãe espiritual dos remidos. O que o próprio Jesus na Cruz confirmou na pessoa de São João ao dizer à sua Mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. São João então representava a todos os remidos.

-Medianeira também: como é ofício próprio da mãe prover o alimento dos filhos, Maria alcança para os seus filhos espirituais, todas as graças necessárias à salvação; Ela é Medianeira de intercessão e secundária, entre Cristo e nós.

-Argumento de razão: podemos e devemos chamar a Virgem Maria Mãe de Deus” porque o termo da maternidade não é a natureza, mas a pessoa. E a Pessoa em Cristo é a 2ª da Santíssima Trindade, o Filho. Na Virgem se realiza, pois, este mistério: ser Ela “Mãe de Deus e de Deus filha”. Ela participa do mistério do seu Filho, que é Deus e Homem ao mesmo tempo.

II - A Imaculada Conceição:

Essa prerrogativa é conseqüência da primeira. Destinada a ser Mãe verdadeira e virginal de Cristo-Deus, não podia Ela ter contato com o pecado. Ademais, se a alguém fosse dado escolher a própria mãe, não escolheria a mais virtuosa, a mais pura, a mais santa? De fato, Jesus não só pôde escolher a Sua Mãe, mas fazê-la, pois é Deus. Ele fez, pois, imaculada a sua Mãe, isto é, isenta de toda a culpa original. É a razão de conveniência.

Mas, essa verdade está contida  no próprio texto de (Gênesis 3,15), pois aí se prediz que o futuro Salvador e a sua Santa Mãe terão uma inimizade total com Satã, e que lhe imporão derrota total. O que é incompatível com a condição de quem tivesse estado, por um momento sequer, sob o pecado e, pois, sob o Maligno. Pressupõe-se a  concepção imaculada, não só de Cristo enquanto homem, mas também de sua Santa Mãe.

III - O Ofício de Corredentora:

Também está contida no citado texto (Gênesis 3,15) a verdade de que aquela Mulher invicta, posta por Deus em total inimizade com o Demônio, ia participar de todos os sofrimentos e lutas do futuro Redentor por nossa Redenção. Realmente a Virgem Maria participou da Paixão de Jesus no grau máximo, sofrendo em união com Ele as dores mais atrozes, e oferecendo-O a Deus Pai como Vítima por nós. Sacrificou-Lhe o seu direito natural de Mãe sobre o Filho. Ela é pois, Nossa Corredentora.

IV - A Assunção Corpórea ao Céu:

A vitória de Cristo sobre Satã, o pecado e a morte foi realizada na Paixão e Morte na Cruz, mas se tornou completa e patente com a sua Ressurreição e Ascensão ao Céu. Ora, o texto do Gênese associa inseparavelmente o Messias e sua Mãe na mesma luta e na mesma Vitória final e completa. Ora, a vitória de Maria Santíssima não seria completa se o seu corpo imaculado e virginal tivesse ficado sujeito à corrupção do sepulcro. Jesus Cristo não o permitiu, elevando-a ao Céu em corpo e alma no fim de sua vida. Assim cumpriu-se plenamente aquela magnífica profecia.

V - A Perpétua Virgindade;

- Respondendo objeções: Os Protestantes não cessam de injuriar a Jesus rebaixando a sua Santa Mãe à condição de uma mulher comum. Vejamos na Bíblia como isso é falso:

1º) No encontro de Jesus no Templo. Jesus aí não argüiu a Sua Mãe por não saber que Ele “devia cuidar dos interesses de seu Pai” (Lucas 2,49). Não era esse o sentido primeiro das suas palavras no contexto. Era antes: “Não sabeis que devo estar no que é de meu Pai?”. Assim, era normal que sua mãe entendesse a resposta no sentido de “ficar morando no Templo”, como Samuel, por exemplo. Por isso S. Lucas afirmou: “Eles não entenderam o que Jesus lhes dissera” (Lucas 2,50).

2º) Em Caná, a Mãe de Jesus Lhe informou ter acabado o vinho. Jesus respondeu usando a expressão semítica: Mulher, “que há entre mim e ti? “ E acrescentou: “A minha hora ainda não chegou” (João 2,4). Não se pode tomar essa expressão no sentido dos nossos idiomas. Ela tem sentido próprio do seu.

Prova: de fato aquela expressão foi usada seis (6) vezes no Antigo Testamento. Ela espera sempre resposta negativa: “não há nada”; uma só vez, ela indica inimizade; as outras vezes, indica que “não há nada” porque estamos de acordo, ou somos amigos. (Cf., para o 1º sentido: (2 Reis 3,13); para o 2º: (2 Sam 16,10; 19, 22); (Juizes 11,12); (1 Reis 17, 18); (2 Crônicas 35,21).

É claro que no caso de Caná, o sentido é de pleno acordo quanto ao fato da providência solicitada, com uma pequena discordância para a oportunidade do mesmo. Daí ter Jesus dito: “a minha hora ainda não chegou”. Mas Ele antecipou a hora, e fez o milagre, atendendo ao intento caritativo de sua Santa Mãe.

Quanto ao apelativo “Mulher”, dizem os entendidos da língua aramaica, a que Jesus falava, que tem um sentido respeitoso equivalente a “Senhora”. Quanto mais na boca de Jesus ao referir-se à sua Santa Mãe! Sobretudo no contexto de Caná e da Cruz, Jesus, o melhor dos Filhos, deve ter-Se dirigido à sua verdadeira e Santa Mãe com acentuado carinho e respeito filiais.

Esse apelativo sugere ainda a lembrança da “Mulher” da profecia de (Gênesis 3,15), não obstante Jesus não chamá-la de Mãe, pois também Jesus, sendo verdadeiro Deus, costumava chamar-Se a Si mesmo “o Filho do homem”, realçando a sua condição de “Messias” ao lado daquela “Mulher” cuja figura Ele e a sua Mãe estavam dando cumprimento.

3ª) Jesus pregava numa casa cheia de gente. Avisam-lhe que lá fora estão sua Mãe e os seus chamados irmãos (primos). Jesus responde: “Minha Mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lucas 8,21; 11,27-28). É evidente que Jesus não está negando à sua Santa Mãe a honra de ser a primeiríssima entre os que ouvem e põem em prática a palavra de Deus, antes o supõe. É esse o seu principal título de glória. O mesmo se diga de (Lucas 11,27-28).

Porque chamamos Maria, mãe de Deus, em vez de chamar Mãe de Jesus?

Não seria exato dizer que Maria é simplesmente a mãe de um homem, como se sua maternidade se limitasse somente ao lado humano de Jesus.

É preciso deixar claro que Maria gerou o Homem - Deus (Romanos 9,5) (João 1,1) e o verbo se fez carne (João 1,14)... chama-lo-ão por Emanuel (Isaías 7,14), que traduzido é Deus conosco (Mateus 1,23). Meu senhor é meu Deus” (João 20,28). “E todos os anjos o adoram” (Hebreus 1,6).

Maria é, realmente, mãe de Jesus Cristo, homem e Deus, conforme o testemunho da escritura: (Lucas 1,31; 2,7) (Gálatas 4,4). Diante disto, podemos seguramente, sem sombra de dúvida, rezar a Nossa Senhora, chamando-lhe: “Santa Maria, mãe de Deus”. Porque, dar a luz um filho (Mateus 1,26) (Lucas 2,7), é ser mãe; e, no caso, mãe de uma pessoa dotada de natureza humana e divina.

Maria revestiu o verbo com a sua própria carne. Esse é todo o sentido e o cumprimento das palavras do anjo Gabriel naquele dia...

Para Entender:

Maria da mesma forma, dando natureza humana à natureza divina de Jesus,  que é Deus, torna-se a mãe da pessoa de Jesus Cristo, na plenitude de seu ser humano e divino.

Por exemplo: Jesus não disse ao filho da viúva: “a parte de mim que é divina te diz: Levanta-te!”, Jesus manda simplesmente “Eu te digo: Levanta-te”.

Na cruz, Jesus não disse: “minha natureza humana tem sede”, mas exclamou: “tenho sede”.

Para Entender Melhor Ainda:

Nosso Senhor, morreu como homem, pois Deus não poderia morrer na Cruz. Então perguntamos: Nosso Senhor, que morreu como homem , não pagou nossos pecados como Deus?  Seus méritos não eram infinitos?  Portanto, as duas naturezas de Jesus Cristo não podem ser separadas, pois nunca poderíamos explicar a rendenção fazendo uma distinção tão grande. Portanto Nossa Senhora, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, é Mãe de Deus. Ou alguém poderia negar que Nosso Senhor, morrendo como homem, nos redimiu como Deus?

Algumas pessoas ignoram que Lutero e Calvino não negaram o dogma da divina maternidade de Maria.

•     Lutero escreveu: “Não há honra, nem beatitude, que sequer se aproxime por sua elevação da incomparável prerrogativa superior a todas as outras, de ser a única pessoa humana que teve um filho em comum com o Pai Celeste”. (Deutsche Schriften, 14,250)

•     Calvino escreveu: “Não podemos reconhecer as benções que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para mãe de Deus”. (Comm. Sur I ’Harm. Evang.20).

 

Fonte: “As diferenças entre igreja católica e igrejas evangélicas”

Editora Com Deus - SP

Autor: Jaime Francisco de Moura

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